
Bruno, o Ursinho que Guardava Bocejos
Todas as noites, Bruno sai com a cestinha para devolver os bocejos perdidos da floresta. Mas de quem será o bocejo que sobrou no fundo?
Equipe Contos para Dormir · · revisado em
Todo bocejo perdido precisa voltar para o seu dono antes de a floresta dormir
Lá no alto da colina, numa toca forrada de folhas macias, morava um ursinho chamado Bruno.
Bruno tinha um trabalho muito especial. Ele não colhia mel. Ele não pescava peixinhos. Bruno guardava... bocejos.
Isso mesmo! Sabe quando a gente abre a boca bem grande, assim... aaaahhh... e os olhinhos ficam pesados? Pois é. Todas as noites, alguns bocejos se perdiam pela floresta. E sem os seus bocejos, os filhotes não conseguiam dormir.
Então, quando a lua acendia no céu, Bruno pegava a sua cestinha e saía bem devagarinho, tum... tum... tum..., com suas patas fofas no chão.
O primeiro bocejo da noite estava preso num galho, balançando como uma folha. Era o bocejo do passarinho.
— Achei você! — sussurrou Bruno, guardando o bocejo na cestinha.
Ele subiu até o ninho na pontinha das patas.
— Aqui está o seu bocejo, passarinho.
O passarinho abriu o biquinho... aaaahhh... aninhou a cabeça nas peninhas... e dormiu.
— Boa noite, passarinho — disse Bruno, bem baixinho.

O segundo bocejo estava boiando na lagoa, redondinho como uma bolha. Era o bocejo do sapinho.
— Achei você! — sussurrou Bruno, guardando o bocejo na cestinha.
Ele se abaixou na beira da água, devagarinho.
— Aqui está o seu bocejo, sapinho.
O sapinho abriu a boca enorme... aaaahhh... se enroscou na folha da vitória-régia... e dormiu.
— Boa noite, sapinho — disse Bruno, bem baixinho.
O terceiro bocejo estava escondido dentro de uma flor fechada, quentinho como um cobertor. Era o bocejo do coelhinho.
— Achei você! — sussurrou Bruno, guardando o bocejo na cestinha.
Ele foi até a toca do coelhinho, sem fazer barulho nenhum.
— Aqui está o seu bocejo, coelhinho.
O coelhinho abriu a boquinha... aaaahhh... deitou as orelhas compridas... e dormiu.
— Boa noite, coelhinho — disse Bruno, bem baixinho.
O quarto bocejo tinha subido tão alto que ficou preso na copa do pinheiro, piscando devagar como uma estrelinha. Era o bocejo da corujinha.
— Achei você! — sussurrou Bruno, guardando o bocejo na cestinha.
Ele subiu o tronco com todo o cuidado, uma pata depois da outra, sem fazer ranger nenhum galho.
— Aqui está o seu bocejo, corujinha.
A corujinha abriu o bico redondo... aaaahhh... virou a cabeça para o lado, apertou as penas... e dormiu de olhos bem fechados, ela que nunca fechava os olhos.
— Boa noite, corujinha — disse Bruno, bem baixinho.
O quinto bocejo estava enroscado num pé de amora, doce e roxinho. Era o bocejo da raposinha.
— Achei você! — sussurrou Bruno, guardando o bocejo na cestinha.
Ele desceu até a moita onde a raposinha morava, pisando na grama molhada.
— Aqui está o seu bocejo, raposinha.
A raposinha abriu a boca cheia de dentinhos... aaaahhh... enrolou o rabo felpudo em volta do corpo... e dormiu.
— Boa noite, raposinha — disse Bruno, bem baixinho.
O sexto bocejo tinha rolado para dentro de um buraquinho no tronco da nogueira, pequeno como uma noz. Era o bocejo do esquilinho.
— Achei você! — sussurrou Bruno, guardando o bocejo na cestinha.
Ele espiou pelo buraquinho, bem de mansinho, para não acordar ninguém.
— Aqui está o seu bocejo, esquilinho.
O esquilinho abriu a boquinha... aaaahhh... cobriu o nariz com o rabo fofo... e dormiu.
— Boa noite, esquilinho — disse Bruno, bem baixinho.
A floresta inteira agora dormia. O passarinho no ninho. O sapinho na folha. O coelhinho na toca. A corujinha no pinheiro. A raposinha na moita. O esquilinho na nogueira. Só se ouvia o vento cantando shhhhh entre as árvores.
Bruno voltou para a sua toca na colina, tum... tum... tum..., cada vez mais devagar.
E quando olhou dentro da cestinha... tinha sobrado um bocejo! Um bocejo grandão, dourado e morninho.
— De quem será esse bocejo? — pensou Bruno.
Ele olhou para um lado. Ele olhou para o outro. Não tinha mais ninguém acordado na floresta...
Era o bocejo dele!
Bruno abraçou o bocejo com as duas patas e... aaaaaahhhh... foi o bocejo mais gostoso da noite inteira.
Ele se deitou na caminha de folhas, puxou o cobertor de musgo até o focinho e fechou os olhos.

— Boa noite, Bruno — disse a lua, lá do céu.
E Bruno dormiu.
Assim como você vai dormir agora... aaaahhh... bem quentinho... bem devagarinho...
Boa noite.
Para conversar depois da história
Três perguntas para fazer à criança antes de apagar a luz.
- Você consegue bocejar bem grande como o Bruno? Vamos tentar juntos?
- Qual animalzinho você ajudaria a dormir primeiro: o passarinho, o sapinho, o coelhinho, a corujinha, a raposinha ou o esquilinho?
- Quem te ajuda a dormir gostoso na sua casa?
Sobre esta história
História original do Contos para Dormir, escrita como um acalanto. A estrutura de seis entregas idênticas — achar o bocejo, devolver, dizer boa noite — é proposital: a previsibilidade acalma, e a cada rodada a leitura pede um ritmo mais lento e uma voz mais baixa, até terminar quase num sussurro.
Perguntas frequentes sobre Bruno, o Ursinho que Guardava Bocejos
Quanto tempo leva para ler esta história?
Cerca de 5 minutos em voz alta, em ritmo calmo. É uma das histórias curtas do acervo, feita para o finalzinho da rotina do sono, quando a criança já está deitada.
Para que idade é indicada?
Dos 2 aos 4 anos. As frases são curtas, a estrutura se repete seis vezes e os sons — o tum-tum das patas, o shhhh do vento, os bocejos — convidam a criança a participar sem precisar acompanhar um enredo.
Como aproveitar melhor a leitura?
Boceje de verdade a cada 'aaaahhh' da história. O bocejo é contagioso: na segunda ou terceira vez, a criança boceja junto — e aí é só baixar a voz a cada parágrafo e deixar o sono terminar o trabalho.


